domingo, 11 de março de 2012

DRUMMOND


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Aquele casal


Aquele casal, o marido me honra com suas confidências:
– Ultimamente, a Elsa anda um pouco estranha. Não sei o que é, mas não me agrada a sua evolução.
– Como assim?
– Deu para usar estampados berrantes, de mau gosto, ela que era tão discreta no vestir.
– É a moda.
– Pode ser o que você quiser, porém minha mulher jamais se permitiu esses desfrutes.
– Deixe Dona Elsa ser elegante. Não há desfrute em seguir o figurino.
– Se fosse só o figurino. São as maneiras, os gestos.
– Que é que tem as maneiras, os gestos?
– A Elsa parece uma menina de quinze anos. Ficou com os movimentos mais leves, um ar desembaraçado que ela não tinha, e que não vai bem com uma senhora casada.
– Posso dar opinião? As senhoras casadas não perdem a condição feminina, e pode até realçá-la por uma graça experiente.
Fixou-me suspeitoso:
– Que é que está insinuando?
– Nada. A mulher casada desabrochou, não é mais um projeto, pode revelar melhor o encanto natural da personalidade.
– Pois fique com suas teorias, que eu não quero saber de minha mulher revelar seu encanto a ninguém.
– Perdão, eu…
– Já sei. Estava querendo desculpar a Elsa.
– Desculpar de quê?
– De tudo que ela vem fazendo.
– Eu ignoro tudo, e adivinho que não há nada senão…
– Senão o quê?
– Aquilo que o dicionário chama de ente de razão, uma fantasia completamente destituída de razão.
– Acha então que estou maluco?
– Acho que está sonhando coisas.
– E a flor que ela trouxe ontem para a casa é sonho? Me diga: é sonho?
– Que é que tem trazer uma flor para casa?
– Veio do oculista e trouxe uma rosa. Acha direito?
– Por que não?
– Eu apertei, ela me disse que foi o oculista que deu a ela. Estava num vaso, ela achou bonita, ele deu.
– E daí?
– Então uma senhora casada vai ao oculista e o oculista lhe dá uma rosa? Que lhe parece?
– Que ele é gentil, apenas.
– Pois eu não vou nessa gentileza de oculista. Não há rosas nos consultórios de oftalmologia. E que houvesse. Tem propósito uma coisa dessas? Ela acabou chorando, dizendo que eu sou um bruto, um rinoceronte. Engraçado. Minha mulher vem com uma rosa para casa, uma rosa dada por um homem, e eu não devo achar ruim, eu tenho que achar muito natural.
– Desde quando é proibido uma senhora ganhar flor de uma pessoa atenciosa? Que sentido erótico tem isso?
– Tem muito. Principalmente se é rosa. Ora, não tente negar o significado das ordens florais entre dois sexos. O oculista não podia dar essa flor, nem ela podia aceitar. O pior é que não deve ter sido o oculista.
– Quem foi, então?
– Sei lá. Numa cidade do tamanho do Rio, posso saber quem deu uma rosa a minha mulher?
– Vai ver que ela comprou na loja de flores da esquina, e disse aquilo só para fazer charminho.
– Ela nunca fez isso. Se fez agora, foi para preparar terreno, quando chegar aqui uma corbelha de antúrios e hibiscos.
– Não diga uma coisa dessas.
– Digo o que penso. Estou inteiramente lúcido, só me conduzo pelo raciocínio. Repare no encadeamento: os vestidos modernos; os modos (só vendo a maneira dela se sentar no sofá); a rosa, que ela foi correndo levar para a mesinha de cabeceira do quarto. Cada uma dessas coisas é um indício; reunidas, são a evidência.
– Permita que eu discorde.
– Discorda sem argumentos. A Elsa não é mais a Elsa. Demora mais tempo no espelho. Fica olhando um ponto no espaço, abstrata. Depois, sorri. Estou decidido.
– A quê?
- Não vai ter prova nenhuma, juro. Ponho a mão no fogo por Dona Elsa.
– Pensei que você fosse meu amigo. Fiz mal em me abrir. Vamos mudar de assunto que ela vem chegando. Mas repare só que os olhos de Capitu que ela tem, eu nunca havia reparado nisso.!
Esquecia-me de dizer que meu amigo tem 82 anos, e Dona Elsa, 79.

MAGNÍFICO!
BOA SEMANA!

MULHERES

A propósito do Dia Internacional da Mulher, comemorado nesta quinta-feira (08.03), vale ler e reler o poema sobre elas do chileno Pablo Neruda. A data, instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) no século passado, tem a ver com a discriminação contra as mulheres ao longo da história. As mulheres do Século XVIII, por exemplo, eram submetidas a um sistema desumano de trabalho, com jornadas de 12 horas diárias, espancamentos e ameaças sexuais.

Assim é que o Dia Internacional da Mulher está intimamente ligado aos movimentos feministas que buscavam mais dignidade para as mulheres e sociedades mais justas e igualitárias. É a partir da Revolução Industrial, em 1789, que estas reivindicações tomam maior vulto com a exigência de melhores condições de trabalho, acesso à cultura e igualdade entre os sexos.
As operárias desta época eram submetidas à um sistema desumano de trabalho, com jornadas de 12 horas diárias, espancamentos e ameaças sexuais.


As tecelãs de Nova Iorque

Dentro deste contexto, 129 tecelãs da fábrica de tecidos Cotton, de Nova Iorque, decidiram paralisar seus trabalhos, reivindicando o direito à jornada de 10 horas. Era 8 de março de 1857, data da primeira greve norte-americana conduzida somente por mulheres. A polícia reprimiu violentamente a manifestação fazendo com que as operárias refugiassem-se dentro da fábrica. Os donos da empresa, junto com os policiais, trancaram-nas no local e atearam fogo, matando carbonizadas todas as tecelãs.
Em 1910, durante a II Conferência Internacional de Mulheres, realizada na Dinamarca, foi proposto que o dia 8 de março fosse declarado Dia Internacional da Mulher em homenagem às operárias de Nova Iorque. A partir de então esta data começou a ser comemorada no mundo inteiro como homenagem as mulheres.

“Mulheres”
Elas sorriem quando querem gritar.
Elas cantam quando querem chorar.
Elas choram quando estão felizes.
E riem quando estão nervosas.


Elas brigam por aquilo que acreditam.
Elas levantam-se para injustiça.
Elas não levam “não” como resposta quando
acreditam que existe melhor solução.



E VIVA AS MULHERES!
BJIM!

quinta-feira, 8 de março de 2012

DIA INTERNACIONAL DA MULHER: DIA DE LUTA...TODOS OS DIAS!

Olá!
Quero começar dizendo que sou feminista. Mas defino o feminismo assim: Feminismo é um movimento para acabar com o sexismo, com a exploração sexista, e com a opressão. Perceba que em nenhum lugar na definição consta que o feminismo odeia homens ou quer acabar com eles. Acabar com o sexismo é bem diferente de acabar com os homens. É além disso. A...s feministas não querem apenas mais direitos dentro do sistema - elas querem transformar o sistema. Feminista não é um bicho peludo e bigodudo que detesta homens. São mulheres dispostas a viverem com homens na sociedade livres de preconceitos e perseguições de todo o tipo!

Defendo que, sem o envolvimento de homens como aliados do feminismo, o movimento não progride. Homens precisam repensar o modelo de masculinidade que querem seguir. Precisam confrontar os inúmeros problemas que o sexismo causa também a eles. E que tod@s nós, mulheres e homens, devemos confrontar o sexismo que está internalizado dentro da gente. Isso inclui nós feministas. Fomos socializadas como mulheres pelo pensamento patriarcal para nos vermos como inferiores aos homens, para nos vermos em competição umas com as outras por aprovação patriarcal, para nos olharmos com inveja, medo, e ódio. O pensamento sexista nos fez julgar sem compaixão e punir duramente umas as outras. O pensamento feminista nos fez desaprender este auto-ódio imposto.

Mas hoje é Dia Internacional das Mulheres, não necessariamente das feministas. E, como tudo no mundo, a data foi banalizada pelo capitalismo. Pra muita gente que não tem contato com o feminismo, virou dia de mulher receber uma rosa e ouvir um "parabéns por ser mulher" . E, bem no nosso dia, ouvimos as mensagens que refoçam os estereótipos, como "Mulher, você é a coisa mais linda do universo, porque você cria a vida" (uma só frase pra lembrar nossos dois papéis na sociedade: sermos decorativas e sermos mães).
E é por isso que o feminismo é fundamental. Pra lutar. Pra fugir do senso comum. Hoje é uma data importantíssima pro feminismo, com eventos, celebrações e reivindicações por todo o Brasil. A data é uma conquista do feminismo, não do capitalismo distribuidor de rosas que diariamente nega e reforça o sexismo.

O que também quero dizer é que já passou da hora de não sermos só doces e delicadas como rosas. O nosso feminismo tem espinhos. Comemoramos o Dia Internacional da Mulher sem esquecer nem por um minuto que todo dia é dia de lutar por um mundo melhor.

Parabéns a tod@as nós!

domingo, 26 de fevereiro de 2012

ANO NOVO! VIDA NOVA! VIVA 2012!

Sejam bem vindos os alunos novos! E aos que já conhecem bem o CEM 804, subamos mais um degrau!
Vamos ter novidades por aqui pelo blog durante o ano letivo. Estou pensando em algumas modificações, além da mudança de layout do página.

Acomodem-se em seus lugares e posicionem as cadeiras na posição vertical. Mantenham os cintos afivelados, os olhos abertos e os livros à mão. Em caso de emergências educacionais, vídeos, fotos e piadas cairão automaticamente no texto. Em caso de dúvida de emergência, dirija-se para o botão dos comentários. Deixe seu recado que retornarei assim que possível!

Bem...esse ano estou com as turmas de 2º anos e o 1º ano E , todas no matutino!
Que Deus nos guie e que possamos aprender bastante juntos!
Bjão!

terça-feira, 28 de junho de 2011

"CURSO: INTRODUÇÃO À EDUCAÇÃO DIGITAL - EU FIZ


O curso se destina aos servidores da educação visando expandir as
formas de executar as aulas com o uso das tecnologias e, principalmente o
Linux Educacional.
O link abaixo descreve resumidamente as principais atividades do curso. 

http://www.slideshare.net/Claudinhan2/o-uso-das-tics-na-educao-proinfo-8451023

domingo, 26 de junho de 2011

A INSERÇÃO DAS TIC NA ESCOLA


Atualmente, Informação e Comunicação são sinônimos de poder: ter a capacidade de comunicar significa poder aceder a informações, e interagir para a obtenção de novos dados, também eles portadores de informação.

O computador e os seus periféricos, designados por Tecnologias de Informação e Comunicação são, sem dúvida, um meio essencial e privilegiado para aceder, trocar e disponibilizar Informação, reunindo todas as condições da multimídia, para as quais o tempo e a distância deixam de ter significado, pela transmissão praticamente instantânea de dados.
Numa sociedade em rápida e constante mutação, impulsionada pela evolução tecnológica, a escola está permanentemente desafiada. Ela deve ser criativa, dinâmica, participativa e democrática. Para não se imobilizar e burocratizar, ela precisa de profissionais também dinâmicos e criativos, capazes de promover e conduzir as mudanças percebidas como necessárias. Além disso, a permanente mudança no próprio ambiente escolar em sintonia com as transformações em curso na sociedade brasileira e num mundo globalizado, demanda um novo perfil de gestor, professor e coordenador capaz de mudar rotinas e atitudes mecanicamente determinadas pelo passado e pela inércia.
Nessa nova perspectiva, a tecnologia pode e deve desempenhar um papel fundamental. Ela permite o armazenamento e a circulação de informações, além de multiplicar as possibilidades de utilização do saber, ela abre ao gestor, professores e funcionários da escola a possibilidade de dar continuidade ao seu próprio processo de aprendizagem e de toda a escola. O uso das TICs facilita o aprendizado e permite a circulação e armazenamento de informações, multiplicando possibilidades da utilização do saber.
A questão maior é quando esbarramos com algumas dificuldades que vão além do “querer e boa vontade” para oficializar o uso dessas tecnologias na escola. Já fazemos uso do computador nas redes sociais, fazemos uso da internet em casa, mas como mostrar aos alunos como fazer uso dessa tecnologia indo além do prazer e para aprender? Na no CEM 804, por exemplo, contamos com um laboratório de informática super equipado e estruturado fisicamente, desde o ano passado, só que estamos esperamos por um profissional que possa transmitir o conhecimento aos alunos, o que gera, uma insatisfação por parte de todos (alunos e professores) que estão curiosos, famintos pelo conhecimento virtual.
Quando surgiu a oportunidade de fazermos este curso, vimos uma luz no fim do túnel. Eu não domino 100% a área de informática, mas sei algumas coisas e posso ajudar a começar o processo na escola. Não só eu, mas muitos dos colegas que estão dispostos a colocar em prática muitos projetos imaginados.
Acredito que cursos capacitantes como este e a informatização das unidades de ensino, são passos importantes para a inserção das TIC na educação, o restante das soluções vai surgindo a partir de discussões, no intuito de tornar democrático, crítico, e não alienante o uso desta nova porta para o conhecimento.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Por que precisamos usar a tecnologia na escola? As relações entre a escola, as tecnologias e a sociedade. (Elida Ramos)

Vivemos numa sociedade onde a informação e a comunicação adquiriram uma enorme importância, e a educação não pode permanecer alheia aos novos meios de processamento, elaboração, armazenamento e distribuição de tal informação, base para posteriores aprendizagens e conhecimentos. A incorporação das novas tecnologias multimídia ao ensino é inevitável, mas terá que fazer-se apoiada em postulados educativos, em abordagens didáticas, em esquemas comunicativos inovadores e multidirecionais. Uma integração satisfatória de novos e variados meios na educação exige, ainda, um professorado conhecedor de suas vantagens e inconvenientes, capaz de assumir as funções que diferentes modelos e situações de aprendizagem lhes exigem.
Quando nós, professores, nos referimos tecnologia na escola, a interpretação mais simplista e talvez também mais freqüente, nos leva a associar as "tecnologias" a esses mais ou menos sofisticados recursos didáticos (computadores, projetores, vídeo interativo, leitores digitais, multimídia...) sobre os quais temos lido e que, segundo dizem, podem ser utilizados no ensino.  O que vem justificar porque nós ainda não dispomos de tais meios, e serve, de certo modo, para tranqüilizar nossa consciência inovadora.
A tecnologia hoje é necessária dentro da escola, para que a mesma não fique fora dos avanços da sociedade que se transforma continuamente através de novos produtos, profissões, técnicas e avanços científicos. É preciso que a escola tenha essa preocupação de inserir a tecnologia na formação dos seus alunos de forma que eles sejam incluídos e não telespectadores. E preciso formar cidadãos aptos a participar da construção da sociedade, porque nessa construção ele será sujeito.
Apesar da realidade atual não nos permitir ser otimista em relação à forma em que a tecnologia tem sido usada dentro da escola, por causa da insuficiência dos instrumentos oferecidos para a educação muitos ainda estão alheios a tal recurso. E outros que embora tenha acesso ainda não produziram o efeito desejado, falta de formação, alienação e indiferença dos seus usuários.
Vários autores seguem o caminho aberto, questionando e propondo o uso da tecnologia para promover compreensão crítica nos alunos, muito além de dar só uma “renovada” nas aulas. Mussio já abordava a necessidade do cidadão poder decidir sobre o que quer ler e ter acesso aos materiais que lhe interessavam e isso se daria com a promoção crítica sobre as tecnologias. Também podemos citar Lévy que em 1993, dizia que para amenizar o grande descompasso e distanciamento entre “a natureza dos problemas colocados à coletividade humana pela situação mundial da evolução técnica e o estado coletivo sobre o assunto", era necessário inventar uma nova sociedade da informação. Logo, nada melhor que a escola, lugar adequado para a promoção da inclusão digital, para que os alunos possam ter acesso desde cedo às novas tecnologias de forma a desenvolver, uma compreensão crítica sobre tais tecnologias, ou seja, dominar uma ferramenta é muito mais do que aprender a usá-la, significa a garantia da possibilidade de se definir conjuntamente o que vamos fazer com elas.
Precisamos considerar que o computador é também uma importante ferramenta pedagógica que pode ajudar a desenvolver o raciocínio das pessoas. Piaget já nos falava que a aceitação de erros é fundamental para a construção significativa e verdadeira do conhecimento. E necessário experimentar, tentar e tentar de novo. Então o professor que vai fazer o uso de novas tecnologias de um modo proveitoso precisa perder o medo de experimentar junto com seus alunos. Não significa o fim da autoridade do professor, mas sim o abandono do autoritarismo que está intrínseco ao ensino das soluções prontas e acabadas, adotadas sem critica nem compreensão. Acreditamos que a aprendizagem significativa e crítica que queremos ver implementadas com as novas tecnologias pressupõem o coletivo, a cooperação entre pessoas e disciplinas e o dialogo franco e livre.
Claudinha.